Anitta merece em aplausos o que Paula Fernandes merece em vaias


Sou talvez a pessoa no Brasil que mais detesta as canções de Paula Fernandes e Anitta. Abomino o que elas fazem em termos musicais com uma ponta de orgulho até. Talvez seja por conta disso que recebi dezenas de pedidos para comentar o “fiasco” das participações de ambas nos recentes shows que o tenor Andréa Bocelli fez semana passada em São Paulo. Mesmo avisando que não assisti aos shows, as pessoas me bombardearam com vídeos das apresentações, pedindo “com sangue nos olhos” e “faca nos dentes” para que eu espinafrasse ambas sem dó nem piedade, já que – segundo essa turba ensandecida – as duas teriam “desafinado demais” e, no caso de Paula, eu comentasse o fato de ela ter “esquecido a letra”.

Assisti aos vídeos. Veja a apresentação de Anitta:
Ao cantar em “Vivo por Ela”, a versão em português de “Vivo per Lei” que Bocelli gravou com Sandy anos atrás, Anitta fez a sua parte com correção, sem desafinar e demonstrando uma surpreendente potência para quem, como eu, está acostumado com a sua voz horrorosa naquelas músicas mais fracas que o cadáver de um esquilo. Quem mandou mal mesmo foi a soprano cubana Maria Aleida Rodriguez, que semitonou horrores. Quando Anitta cantou “Canto Della Terra” ao lado de Bocelli e sozinha em “Somewhere Over the Rainbow”, foi ainda melhor:
Minhas palmas para ela! Não desafinou – como muito estavam loucos para que eu escrevesse aqui -, fez sua lição de casa com eficiência, não deu vexame e mostrou que, se trocar de repertório, pode ser reconhecida como uma boa cantora, assim como aconteceu quando Lady Gaga gravou em 2014 o álbum Cheek to Cheek junto com o Tony Bennett.

Vamos agora ao caso mais delicado: Paula Fernandes. Assista abaixo a mesma “Vivo por Ela” apresentada no dia seguinte:
Notou que a soprano cubana Maria Aleida Rodriguez não deu as caras, certo? Pois é… Segundo foi dito oficialmente, ela teve um mal súbito e não se apresentou. O que fez Paula Fernandes? Cantou a primeira parte da canção – como havia feito Anitta no dia anterior – e simplesmente parou e ficou lá no palco, apenas sorrindo e mostrando o corpão.

Até entendo que ela não tinha a obrigação – e muito menos capacidade - de fazer a parte da soprano, mas cadê as outras partes em que ela deveria cantar, assim como fez Anitta? Se você notar, depois que Paula termina de cantar os poucos versos – lidos de modo constrangedor e completamente ‘bandeiroso’, mostrando que ela não se deu ao trabalho sequer de decorar a letra - há uma “parte instrumental” não programada, causada pelo vácuo deixado por ela. Experiente, Bocelli sacou o erro e tratou ele mesmo de fazer todas as partes de Maria Aleide e o restante que deveria ser feito pela brasileira.

A assessoria da Paula – sempre bastante apressada na hora de colocar panos quentes nas mancadas de sua patroa – logo tratou de emitir um “comunicado oficial” dizendo que ela fez o que havia sido ensaiado. Na boa: duvido que ela tenha sido escalada só para cantar os primeiros versos da canção. Mesmo com a ausência da tal soprano, é inadmissível a tal desculpa esfarrapada da assessoria.
      
Jamais se produziu tanta canção de qualidade abaixo da crítica no Brasil como nos dias atuais. E as duas participam ativamente para a formação de tal panorama em suas carreiras individuais. Só que na hora em que as duas tiveram que mostrar se tinham “garrafas para vender”, Anitta mostrou que sabe cantar quando assim é exigida. Já Paula Fernandes deixou claro que a oferta de sua incompetência supera a demanda daquilo que se exige dela.

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